Mostrando postagens com marcador questões de tradução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador questões de tradução. Mostrar todas as postagens
2 de março de 2015
masculino / feminino II
em masculino / feminino, aqui, eu comentava a (quase) inevitável feminização do universo tão masculino do PP, em sua tradução para o português. a propósito dessa mesma questão da diferença de gêneros no francês e no português, eis mais um ótimo texto de ivone benedetti, também tradutora do PP, aqui.
1 de março de 2015
como, quando e por que o tradutor para e vai tomar um café
uma complicação muito bem exposta por ivone c. benedetti, aqui.
- mas isso não é um mouton, é um bélier!
a solução excelente da tradutora, por outro lado, reforça a feminização do universo tão masculino da obra, a que somos obrigados no português, como comentei aqui. à serpente e à raposa, soma-se agora a ovelha.
masculino / feminino
a tradução do PP não é, em princípio, nada de estrondosamente difícil. há algumas peculiaridades mais complicadazinhas - como o verbo apprivoiser, que citei aqui, e outras que citarei adiante.
mas há, sim, uma peculiaridade realmente intransponível, e não de pequena monta. trata-se da própria concepção de fundo. explico-me.
o universo de le petit prince é essencialmente, para não dizer exclusivamente, masculino. o narrador, o protagonista, os seres vegetais e animais, as figuras-tipo dos vários planetas são do sexo (e do gênero gramatical) masculino. o único ser feminino é a a rosa, ser frágil e delicado que demanda proteção, eixo das atenções e preocupações do pequeno príncipe.
porém, em português, le serpent boa e le serpent são femininos, assim como le renard e les papillons. o pequeno príncipe então fica rodeado de outros seres femininos, de papel essencial na narrativa: justamente a raposa que lhe permite enxergar seu amor pela rosa e a serpente que lhe permite a viagem de volta ao lar.
na tradução, é claro que, no limite, poderíamos forçar o uso de algum termo masculino (ofídio? raposinho?). todavia, o preço de perder a simplicidade do termo mais corrente é alto e, ainda assim, nada garantiria que o enquadramento masculino ganhasse a nitidez explícita e decisiva que tem no original.
nesse sentido, torna-se quase inevitável que a transposição do texto resulte em certo apagamento dos papéis. dilui-se o contraste masculino/feminino, descentralizam-se as posições.
28 de fevereiro de 2015
"apprivoiser"
há várias questões para uma tradução do PP que não são de resposta pronta e tampouco fácil. uma delas é o verbo apprivoiser, que entre nós acabou por ser unanimemente traduzido por "cativar", na esteira da escolha sugerida por gustavo corção a dom marcos barbosa e por ele aceita em sua tradução de 1954.
o tema gerou ampla discussão no "clube de amigos do pequeno príncipe", aqui, e deu ocasião a um breve texto de ivone benedetti, justamente uma das tradutoras do PP, que esboça bem o problema: "o pequeno príncipe: notas de (uma) tradução - 1", aqui.
27 de fevereiro de 2015
o clube dos amigos do pequeno príncipe
em 4 de fevereiro, criei no facebook um grupo chamado "clube dos amigos do pequeno príncipe", aqui, relacionado à tradução da obra.
diversos participantes têm contribuído com materiais excelentes, desde traduções comparadas, análises de temas presentes no texto, informações biobibliográficas até questões mais propriamente técnicas, relativas a problemas de tradução.
Assinar:
Postagens (Atom)




